“2023 foi um ano de enorme sofrimento, violência e caos climático. A humanidade sofre. O nosso planeta está em perigo. 2023 é o ano mais quente já registado. As pessoas estão asfixiadas pela crescente pobreza e fome”, refere.”
António Guterres, Secretário-Geral da ONU.
Neste enunciado se faz soar a realidade do ser e sentir do planeta.
Um PLANETA que tem dentro de si o Sol, a Lua e as Estrelas e a Natureza e que deve ser ressuscitado, em maiúsculas e com firmeza a partir do interior das palavras de Vieira.
“Vós sois o sal da terra”, um conceito predicável do sermão vieirista agora adaptado a uma nova realidade, um novo sentir, uma nova emergência que tem sido tão “desusada” em defesa de deleites de vaidade, de oportunismo, de ganância, de riqueza, de lucro, de indiferença, de exploração do OUTRO.
PLANETA, sois a mundividência da Humanidade! De Vós” depende a nossa subsistência, a nossa felicidade, a nossa alegria, a nossa partilha com as novas gerações tornando-as confiantes e realizadas num PLANETA único e inteiro.
Isto significa, o entendimento de que O devemos ter como um direito universal e inalienável e não como uma condição de merecimento que determinados poderes e interesses usam para dele usufruir.
Não. Temos de agir.
Temos de ter o poder curativo do Peixe de Tobias, a força e o poder da Rémora, a energia do Torpedo e a capacidade de sermos vigilantes, precavidos, defensivos como o Quatro-Olhos. Peixes alegoricamente retratados por Vieira, e que desaguam na mensagem de Mahatma Gandhi ao afirmar que a força não provém da capacidade física, mas sim de uma vontade indomável por sermos comunidades dotadas de civismo, de compreensão, de bem, capazes de transformar e de combater solos incultiváveis devido à salinidade, à antropofagia civilizada - a das pessoas e instituições que se devoram mutuamente -, ao degelo dos glaciares, à pobreza, à violência, às alterações climáticas e aos seus flagelos de dor e de anulação individual e coletiva e civilizacional.
A ganância tão bem representada pelos Voadores e tão veementemente repreendida por Vieira, deve dar lugar à humildade, à ajuda, a um novo pulsar humanitário pois cada dia a natureza produz o suficiente para a nossa carência. E, ainda no rasto de Mahatma Gandhi, se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.
É preciso que o homem tenha, para com o PLANETA, um novo modo de se dar a ver, de se ver e a si próprio se perguntar.