A ESCRITA como um sistema simbólico de registo e comunicação que significa coisas diferentes para os diferentes povos ao longo do tempo.

     Ela é essencial para a perenidade da humanidade, preservando a História, a cultura e as experiências. Os registos escritos, nos seus diversos géneros, imortalizam memórias, cronologias históricas e literárias, sabores de palavras desabrochando sentidos e transmitem conhecimento ao longo das gerações.

     Na História, os documentos sob forma de crónicas, de textos dramáticos ou líricos são fontes valiosas sobre civilizações, eventos e personagens marcantes tal como nos mostra Fernão Lopes na “Crónica de D. João I” onde, a “arraia-miúda”, na defesa da Pátria contra o invasor castelhano, se solidariza para o combater, vencendo-o.

     A escrita preserva tradições, crenças e valores culturais. A poesia trovadoresca retrata, nos seus diferentes géneros, a alma peninsular feminina enamorada e saudosa do amigo que partira para o fossado, a coita de amor no trovador que se dirige à “dona” elogiando-a, enaltecendo-a, sob um rigoroso código de conduta que o condena à morte, surgindo ressuscitado nas cantigas satíricas.

     A literatura é um tesouro imortalizado por meio da escrita, permitindo-nos apreciar obras de escritores de diferentes épocas e lugares. Assim se verifica, a título de exemplo, em obras como o “Sermão de Santo António” de António Vieira, em “Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett onde se relevam dimensões humanas e patrióticas ímpares independentemente do período literário a que pertencem.

     A mesma desempenha um papel essencial na preservação de experiências individuais.

Através de registos diários que refletem a ação dos poderosos face ao oportunismo, à exploração humana na busca desenfreada pela fama individual; sobre o abandono da cultura, do saber; sobre a indiferença pelos mestres da escrita e do mérito que lhes é devido, o poeta renascentista inscreve, no seu Canto épico, uma crítica audaz e profunda a esses comportamentos, condenando, nas suas reflexões, os infratores ao infortúnio e ao esquecimento.

     Por todos os ensinamentos, é nosso dever valorizar e proteger a escrita como um tesouro que eterniza a nossa História fazendo-nos engrandecer como povo na língua portuguesa.

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