ERA UMA VEZ...

     Quem conta um conto, sempre lhe acrescenta um ponto… Esta é a função do contador de histórias, uma figura intemporal que faz parte do imaginário de muitas e muitas gerações. Foi, em tempos, insubstituível na sua função de moralizar as gentes, que, através desta figura, bem entendiam que, por muito que pregasse Frei Tomás, o importante era o que era dito e não o exemplo dado.

     Como dos fracos não rezava a história, muitas das ideias difundidas louvavam a coragem, a bravura, mas também a honestidade. Os heróis povoavam a imaginação e mantinham a consciência coletiva do povo, pois pelas suas boas ações chegavam à felicidade, a qual é uma consequência e não uma recompensa. Além do herói de capa e espada, a figura do herói dos doze trabalhos de Hércules era fundamental, dado que a paciência era uma sua virtude e sempre sabia que Roma e Pavia não tinham sido feitas num dia. O herói não tapava o sol com a peneira e a dificuldade, para ele, era a mãe da invenção. Assim triunfava, porque a sorte favorece os audazes.

     Voltando ao contador, este dominava a linguagem, que mantinha encantada e atraente. Assim passava a mensagem, até porque a falar é que todos se entendiam e o contador falava pouco e bem e assim o tinham por alguém. Tudo o que contava apontava para verdade, ficcionada ou não, pois esta é como o azeite: vem sempre ao de cima. Se a voz do povo é a voz de Deus, ao passar as histórias de boca em boca o contador assegurava a sua moral, mesmo sabendo que cada um vê mal ou bem, conforme os olhos que tem.

     Contar histórias é uma virtude. Se o que é de gosto regala a vida e mais vale um gosto na vida que três reis na algibeira, qualquer contador de histórias que o seja com prazer não precisa de tostão no bolso. Tem é de saber fazer sorrir, pois quem sabe sorrir, sabe viver.

 

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