
É Diretor do Agrupamento de Escolas Fontes Pereira de Melo, engenheiro
eletrotécnico, canta e ensina teatro.
Por Laura Dias e João Pires (8ºB.F)
É Diretor do Agrupamento de Escolas de Fontes Pereira de Melo, licenciado em Engenharia eletrotécnica e de computadores, começou a sua carreira a dar aulas de informática. Para além disso, estudou música, isto porque sempre adorou música clássica e sonhava ser cantor lírico e fazer um curso superior de canto.
Engenheiro Pedro Almeida
“Lembro-me de uma vez ter dito que gostava de ser palhaço. Era miúdo, teria uns três ou quatro anos. Depois, quando descobri a música clássica e a ópera, o meu sonho era ser cantor de ópera.”
Sr. Diretor, onde é que passou a sua infância?
Nasci no Porto, na Ordem da Lapa, na freguesia de Cedofeita, vivi sempre com a minha família na zona de Campanhã e, portanto, nunca saí do Porto, mesmo a vida académica foi aqui, portanto sou muito caseiro.
Quando era criança, o que é que sonhava ser?
Não me lembra bem, mas penso que tive os sonhos que qualquer criança tem, como ser polícia por exemplo, mas é engraçado, nunca sonhei ser professor. Lembro-me de uma vez ter dito que gostava de ser palhaço. Era miúdo, teria uns três ou quatro anos. Depois, quando descobri a música clássica e a ópera, o meu sonho era ser cantor de ópera.
Quais eram os seus passatempos?
Eu sempre fui filho único, não tenho irmãos e, portanto, as brincadeiras eram muito solitárias, brincava com legos e lia muito aqueles livros de Os cinco, Os sete. Brincava com os primos, quando nos vinham visitar e com alguns colegas de escola que moravam perto de mim.
Porque é que escolheu a área da informática?
Quando fui para o 10º ano, era uma área que estava em franca expansão e na altura podíamos escolher a área de estudos específicos que queríamos frequentar e decidi escolher essa. Eu já tinha um computador pessoal e quando surgiu o bichinho da programação comprei alguns livros e aprendi sozinho, por isso, na altura, a informática fez todo o sentido e tal como diz a música “era um emprego com saída”.
Quando foi para a Universidade, já sabia que queria ser professor?
Não, quando fui para a Universidade, o que tinha em mente era ser cantor, mas os meus pais diziam-me que no nosso país a cultura não é muito valorizada e, por isso, tinha de ter um plano B, ou seja, ter um curso ou um diploma, para poder ter uma hipótese, caso o sonho de ser cantor não corresse bem. Por isso fui para a Universidade estudar engenharia. Na altura, decidi dar aulas porque queria continuar a estudar música e pareceu-me a hipótese mais viável. Acabei por gostar de estar no ensino e aqui estou, ficando a música mais de lado.
Também é professor de teatro, correto?
Sim, continuei a dar aulas de canto, no ensino privado e no ano passado surgiu a oportunidade de dar aulas de teatro aos nossos alunos e esta é uma área que tem a ver com a música, porque também fiz canto teatral, que tinha uma grande componente de teatro e por isso aceitei o desafio.
Algum dia se arrependeu de dar aulas?
Não, nunca me arrependi. Foi uma descoberta muito interessante. Quando andava a estudar, sabia que professor não ia ser de certeza, visto que quando os meus colegas me pediam ajuda, se não percebessem à primeira ou à segunda, não tinha muita paciência. Achava que ser professor não era uma opção, apesar de esta área me ser próxima, já que a minha mãe era professora. Em casa falava-se sobre ensino. Quando comecei a dar aulas, descobri que é uma área de que eu gosto. Tento dar tudo o que posso aos meus alunos e quando não percebem à primeira, à segunda ou à terceira, tento arranjar novas formas de explicar ou de chegar a eles, para que vençam as suas dificuldades.
Do que é que mais gosta na área do ensino?
Neste momento estou a gostar muito de dar aulas de teatro, está a ser uma experiência interessante, estou a gostar, apesar de me zangar todos os dias com eles, gosto de dar aulas. Gosto de dar aulas de informática, de dar aulas de canto e de dar aulas de teatro. Neste momento gosto mais de dar aulas de teatro porque é o que estou a dar neste momento, mas gosto de ensinar.
Porque é que decidiu apostar na gestão escolar e candidatar-se à direção deste agrupamento?
Eu já estou ligado à gestão, primeiro da escola e depois do Agrupamento há muitos anos. Quando vim para cá trabalhar, por circunstâncias da vida, fiquei logo muito próximo da Direção de então e depois, comecei a trabalhar como assessor, portanto estive sempre ligado à gestão desta escola. Em 2009, a primeira Diretora desta escola foi a Engenheira Ana Alonso, porque passou de Conselho Executivo para o modelo de Diretor e ela convidou-me a ser subdiretor, o que eu aceitei. Há dois anos ela achou que o percurso dela como diretora tinha terminado e perante esta situação, analisando prós e contras, achei que fazia todo o sentido continuar o trabalho que estava a ser desenvolvido e com o qual eu me identificava e, por isso, decidi avançar com a candidatura para Diretor.
Como seria para si a escola ideal?
A escola seria uma escola que tivesse todos os recursos disponíveis e necessários, para que pudesse fazer um excelente trabalho em prol dos alunos. Nós não nos podemos esquecer que a escola só existe por causa dos alunos e, portanto, estamos aqui para que eles possam crescer, possam aprender, possam ser pessoas melhores, e o ideal é que a escola tivesse todos os recursos de que precisasse, consoante os casos, para poder responder da melhor forma aos alunos.
Acha que a nossa escola é ideal?
Não é ideal porque de facto nós não temos todos os recursos de que precisamos, infelizmente. Por isso não é uma escola ideal, porque nenhuma escola tem de facto esses recursos, sejam físicos, materiais ou humanos. Considero que o nosso agrupamento tenta gerir os recursos que tem da melhor forma, para que de facto possa fazer o melhor trabalho que está ao seu alcance.
Gostaria de ter mais disponibilidade para estar mais presente entre a comunidade escolar?
Sim, infelizmente as obrigações deste cargo, as reuniões e outras coisas que me tomam muito tempo, deixam-me pouco tempo para pensar a escola como eu gostaria e, por isso, tenho de recorrer aos meus braços direitos, que são os outros elementos da direção, que me ajudam na gestão do agrupamento. São os meus olhos e os meus braços fora daqui e ajudam-me muito. Gostava, de facto, de ter mais disponibilidade para poder acompanhar o agrupamento de outra forma, sim.
Olhando para trás, mudaria alguma coisa da sua carreira profissional?
Não, acho que não. Porque se eu mudasse provavelmente hoje seria uma pessoa diferente.
Quando decidiu mudar o seu percurso, sempre teve em mente que poderia não realizar o seu sonho de ser cantor?
Sim, claro que sim. Nós vamos lutando pelos nossos sonhos, enquanto eles fazem sentido e enquanto nós acharmos que eles são exequíveis. Quando nós percebemos que a distância que nos separa dos nossos sonhos é muito grande, nós começamos a olhar para os nossos, vamos mudando e adaptando os nossos sonhos, de forma a que eles sejam mais exequíveis, e, portanto, nós vamos gerindo as expectativas, os sonhos, e as coisas vão acontecendo naturalmente. Por isso, quando a ideia de ser cantor ou a ideia da carreira que eu gostaria de fazer deixou de todo de ser exequível, tive de mudar, mas indo mantendo sonhos, porque não podemos deixar de sonhar, senão deixamos de ter razão para lutarmos, para vivermos e termos objetivos, isso não pode acontecer.
É fácil conciliar o trabalho de Diretor e a música?
Não, claro que não. Não só o trabalho de diretor, mas toda a minha vida profissional aqui na escola, enquanto elemento que esteve ligado às direções, fui pondo sempre a escola em primeiro plano, relativamente à minha vida enquanto músico, por não ser fácil conciliar isso. Porque se fosse fácil teria feito outras coisas ao nível da música, mantendo o trabalho aqui na escola. Às vezes é preciso fazer opções e a música acabou por ficar um bocadinho de parte.
Como descreveria o Pedro Diretor, o Pedro professor e o Pedro músico?
É uma pergunta difícil. É claro que são três aspetos do Pedro pessoa, como é evidente. O Pedro Pessoa é a base de tudo e depois, consoante o sítio onde estamos, consoante aquilo que estamos a fazer, vamos mostrando as nossas facetas. O Pedro diretor é alguém que se preocupa em fazer o melhor que pode e sabe em prol do agrupamento, ao mesmo tempo tentando ser justo, com as decisões que toma. O Pedro professor, para além de querer ser exigente com os alunos, porque de facto quero que aprendam e que possam receber de mim o máximo de informação e de conhecimento, dentro da área que eu esteja a lecionar, para que possam ter o melhor de mim. Às vezes, dessa forma, tento estar mais próximo deles, ser mais amigo e condescendente, coisa que o Pedro diretor não pode ser. O Pedro músico é mais um Pedro sonhador, mais um Pedro que pode deixar as emoções vir ao de cima, porque muitas vezes isso poderá ser expectável e poderá ser bom para a interpretação, para a execução da música, mas são todos facetas do Pedro pessoa, só assim faz sentido.